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Agência Aids exibe o documentário Positivas no Dia Internacional da Mulher
Na próxima segunda-feira será exibido o documentário Positivas, seguido de debate sobre a infecção pelo HIV em mulheres que possuem relações estáveis
Fábio Serrato, da Agência Aids (08/03/2010)
Sete mulheres que se infectaram pelo HIV por meio de seus maridos ou parceiros estáveis. Essa é a realidade que será exibida e debatida no próximo dia 8 de março - Dia Internacional da Mulher - em evento da Agência de Notícias da Aids, com apoio do Espaço Unibanco de Cinema, Condomínio Conjunto Nacional e DKT. A exibição do filme Positivas de Susanna Lira acompanha a vida de mulheres que foram surpreendidas pela notícia da doença em um ambiente até então seguro. "Realizei pesquisas com mais de 30 mulheres e escolhi sete que fossem as mais comuns possíveis, para que o público realmente se identifique com elas e se perceba vulnerável ao HIV", diz a diretora. O documentário foi lançado no ano passado às vésperas do dia 1º de dezembro, Dia Mundial de Luta Contra a Aids, no Rio de Janeiro. A diretora conta que teve a ideia de produzir o longa depois de encontrar o tema durante pesquisas que realizava para um outro filme. "Esse assunto é urgente, não tinha como esperar." A narrativa elegeu mulheres de comportamento exemplar, comprometidas com os dogmas do relacionamento ideal, sem negociar o uso da camisinha com seus parceiros. A diretora alerta, entretanto, que a ideia do filme não é culpar os homens pela infecção do HIV. "Pelo contrário, mostramos que as mulheres têm responsabilidade sobre o corpo e a saúde", comentou. Esta será a terceira exibição de Positivas, que também será apresentado em festivais de cinema na Colômbia, no Uruguai e na Argentina. Mais informações no blog www.positivasofilme.blogspot.com As personagens Ana Paula Prado Silveira (40 anos): mora em Brasília, descobriu sua sorologia positiva há 12 anos, no sexto mês de gravidez. Após algum tempo de resistência em assumir publicamente que era portadora do HIV, Ana Paula descobriu que a única maneira de acabar com o preconceito contra as pessoas portadoras do vírus da aids, e também evitar mais contaminações, seria se mostrando ao mundo de corpo e alma. Hoje, ela trabalha no Programa Nacional de DST e Aids, do Ministério da Saúde, no setor de articulação com a sociedade civil e direitos humanos, diretamente na ponte com as organizações comunitárias. Cida Lemos (54 anos): Professora de português e ciências da rede pública de ensino, se sentia segura em não usar camisinha com o parceiro, já que mantinha um namoro de 4 anos. Em 1999, com alguns sintomas, consultou vários especialistas e nenhum deles pediu o teste anti-HIV. Somente um ano depois foi pedido o teste e ela fez com tranquilidade, pois tinha a certeza de que o resultado seria negativo. Um ano após o diagnóstico, uma doença oportunista a deixou cega, o que ela afirma ter sido, aí sim, muito difícil. Aposentada, Cida começa a usar sua experiência como professora e seu jeito extrovertido para dar palestras e apoio psicológico para mulheres soropositivas. Heli da Silva Cordeiro (65 anos): Dona de casa, moradora de Piedade, Rio de Janeiro, foi casada durante 31 anos e sempre foi fiel ao marido. Na mesma semana em que adoeceu, há 14 anos, seu marido morreu. Diagnóstico: AIDS. Surpresa com a notícia, Heli corre em busca de informações sobre a doença e descobre que também foi infectada pelo HIV. Viúva, com quatro filhos adolescentes, a dona de casa resolve ir à luta e buscar um tratamento adequado. Hoje, escreve poemas, faz aulas de dança e divide a vida com os 4 filhos. Maria Medianeira Gonçalves de Mello (56 anos): Enfermeira, casou-se aos 44 anos com o seu "príncipe encantado". Três meses depois, descobre a homossexualidade do marido ao encontrá-lo na cama com outro homem. Pede a anulação do casamento e descobre, pouco tempo depois, que estava contaminada. Moradora do Município de Viamão, no Rio Grande do Sul, Medianeira deixou a enfermagem para se dedicar à luta contra a aids. Criou há 10 anos a Associação Medianeira de Apoio à Vida e não se cansa de distribuir camisinhas e explicar aos passantes os perigos da contaminação. Michelle Silva Caires (24 anos): mãe de quatro filhos, Michelle tem medo de contar para amigos, familiares e vizinhos de Campo Grande, bairro onde mora no Rio Janeiro, sobre sua sorologia - poucos sabem, ou muitos fingem não saber. Com isso, ela tenta proteger Denis, que lhe passou o vírus e com quem ela é casada e pretende viver por muito tempo. Diferente das outras mulheres entrevistadas, Michelle nunca frequentou grupos de auto-ajuda, nunca entrou para a militância. Ela foi demitida do trabalho de cozinheira quando descobriram que ela era portadora do vírus HIV. Rosária Piris Rodriguez (53 anos): Uruguaia, Rosária veio para o Brasil há 23 anos para tratar de uma filha doente. Hoje, ela mora na Bahia com três filhas e doze netos. É evangélica e nunca pensou que pudesse estar contaminada, sempre foi fiel a seu parceiro. Porém, ele era usuário de drogas. Apesar da difícil condição financeira, ela se dedica integralmente a dar aulas e palestras sobre direitos humanos com o objetivo de conscientizar a mulher para o uso da camisinha e para a importância da adesão ao tratamento da doença. Silvia Aparecida Domingues de Almeida (45 anos): Casou-se aos 18 anos com o primeiro namorado. Aos 30, descobriu que o marido tinha Aids e havia transmitido o vírus para ela. Apesar da dor, cuidou do marido até o final - naquele momento, menos lhe importou como aconteceu a contaminação e mais quanto tempo ainda teriam juntos. Trabalha no setor de responsabilidade social de uma multinacional em São Paulo e viaja pelo Brasil lutando contra o preconceito contra pessoas com HIV. A empresa sempre deu a maior força, inclusive comprando os coquetéis que Silvinha precisava tomar, enquanto ela não recebia gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde. Silvinha mora com o filho adolescente e curte muito a outra filha e o neto. Antônio, seu namorado, a acompanha em tudo que pode. Serviço Positivas Espaço Unibanco de Cinema Rua Augusta, 1470, sala 4, às 18h - São Paulo (SP) Telefone para mais informações.: (11) 3287-6933 Leia mais notícias da Agência de Notícias da Aids em www.agenciaaids.com.br
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