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 Revista Viração e Projeto Agente Jovem (Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome)

Aberto para balanço

02/fev -11h30

Adriano Rangel - Agência ViraJovem - O acampamento intercontinental da juventude ultrapassou a expectativa de público e chegou a cerca de 55 mil acampados, segundo contagem preliminar do Comitê Organizador do Acampamento (COA). "A avaliação do acapamento no geral é positiva. A gente conseguiu aglutinar lutas e bandeiras em centros de ação. Conseguimos ter uma programação organizada", diz Gabriel Medina, um dos integrantes do COA.

Um dos destaques do acampamento foi o espaço Che, destinado a discutir e prestar atendimento na área de saúde. Eu mesmo experimentei a Farmácia Homeopática por conta de uma queimadura provocada pelo sol. Fui medicado com uma pomada de calêndula e foi tiro e queda. "Essa é a saúde que a gente quer, não é a saúde que a gente tem", explica João B. S. P. Neto, 44 anos, sanitarista, farmacêutico e homeopata que colaborou no espaço Che.

É claro que com toda essa gente que participou do Fórum tivemos problemas. Alguns já imaginados e outros bem tristes. A demanda foi tão grande que a infra-estrutura do Fórum em alguns momentos não deu conta, como no caso de banheiros lotados, chuveiros do acampamento super disputados e espaços temáticos abarrotados de gente. Mas o ponto mais negativo foi a segurança que não deu conta de impedir furtos, roubos e até mesmo violência física dento do acampamento.

"Arrombaram minha barraca e furtaram minha mala com roupa, caderno, remédio lamenta Gabriel Cunha, 24 anos, uma das vítimas da falha na segurança. A coisa mais triste que temos a contar neste fim de Fórum foi a violência experimentada por dezenas de mulheres acampadas. Gina Faria, 23 anos, conta que "um babaca pegou na minha cintura e eu descontei nele toda a minha raiva. Isso é triste. Estamos aqui conversando, pensando num outro mundo e aí eu sou assaltada, o cara me assedia. Estou desiludida. Acho que é essa a palavra, desilusão".

Terrivelmente alguns casos de estupro foram registrados no acampamento. "A gente teve estupro sim e isso é uma estupidez. Eu acredito que mais de vinte estupros tenham chegado até o espaço Che, relata João. Gabriel Medina diz que "a violência contra a mulher é procupante e o COA tem que fazer uma avaliação muito crítica disso. A empresa de segurança foi mal preparada e nós não demos conta de segurar isso por causa da dimensão do evento".

Apesar dos protestos da Marcha Mundial das Mulheres ocorridos no acampamento com gritos como "a violência contra a mulher não é o mundo que a gente quer", "os caras ainda ficam fazendo piadinhas, falam que o nosso lugar não é ali. O machismo existe sim e isso é gritante, é alarmante", protesta Karol Kalef, 23 anos, participante da marcha.

Nada é perfeito, nem a construção de um outro mundo possível. Participar do Fórum e colaborar com a Vira foi uma experiência muito legal e certamente inesquecível. No último dia do Fórum fico com as palavras da Karol: "mesmo dentro do fórum a gente não tá fora desse mundo onde o capitalismo existe, o machismo existe... E não é porque a gente tá tentando construir um outro mundo que esses problemas não possam acontecer no acampamento e no Fórum".

Colaboraram Clarananda Barreira e Francisco Veiga Moraes

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Agência ViraJovem de Notícias - Cobertura do V Fórum Social Mundial - Porto Alegre 2005
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