Adriano Rangel
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Agência ViraJovem - O acampamento intercontinental
da juventude ultrapassou a expectativa de público e chegou a cerca de
55 mil acampados, segundo contagem preliminar do Comitê Organizador do
Acampamento (COA). "A avaliação do acapamento no geral é positiva. A
gente conseguiu aglutinar lutas e bandeiras em centros de ação.
Conseguimos ter uma programação organizada", diz Gabriel Medina, um
dos integrantes do COA.
Um dos destaques do acampamento foi o espaço Che, destinado a discutir
e prestar atendimento na área de saúde. Eu mesmo experimentei a
Farmácia Homeopática por conta de uma queimadura provocada pelo sol.
Fui medicado com uma pomada de calêndula e foi tiro e queda. "Essa é a
saúde que a gente quer, não é a saúde que a gente tem", explica João
B. S. P. Neto, 44 anos, sanitarista, farmacêutico e homeopata que
colaborou no espaço Che.
É claro que com toda essa gente que participou do Fórum tivemos
problemas. Alguns já imaginados e outros bem tristes. A demanda foi
tão grande que a infra-estrutura do Fórum em alguns momentos não deu
conta, como no caso de banheiros lotados, chuveiros do acampamento
super disputados e espaços temáticos abarrotados de gente. Mas o ponto
mais negativo foi a segurança que não deu conta de impedir furtos,
roubos e até mesmo violência física dento do acampamento.
"Arrombaram minha barraca e furtaram minha mala com roupa, caderno,
remédio lamenta Gabriel Cunha, 24 anos, uma das vítimas da falha na
segurança. A coisa mais triste que temos a contar neste fim de Fórum
foi a violência experimentada por dezenas de mulheres acampadas. Gina
Faria, 23 anos, conta que "um babaca pegou na minha cintura e eu
descontei nele toda a minha raiva. Isso é triste. Estamos aqui
conversando, pensando num outro mundo e aí eu sou assaltada, o cara me
assedia. Estou desiludida. Acho que é essa a palavra, desilusão".
Terrivelmente alguns casos de estupro foram registrados no
acampamento. "A gente teve estupro sim e isso é uma estupidez. Eu
acredito que mais de vinte estupros tenham chegado até o espaço Che,
relata João. Gabriel Medina diz que "a violência contra a mulher é
procupante e o COA tem que fazer uma avaliação muito crítica disso. A
empresa de segurança foi mal preparada e nós não demos conta de
segurar isso por causa da dimensão do evento".
Apesar dos protestos da Marcha Mundial das Mulheres ocorridos no
acampamento com gritos como "a violência contra a mulher não é o mundo
que a gente quer", "os caras ainda ficam fazendo piadinhas, falam que
o nosso lugar não é ali. O machismo existe sim e isso é gritante, é
alarmante", protesta Karol Kalef, 23 anos, participante da marcha.
Nada é perfeito, nem a construção de um outro mundo possível.
Participar do Fórum e colaborar com a Vira foi uma experiência muito
legal e certamente inesquecível. No último dia do Fórum fico com as
palavras da Karol: "mesmo dentro do fórum a gente não tá fora desse
mundo onde o capitalismo existe, o machismo existe... E não é porque a
gente tá tentando construir um outro mundo que esses problemas não
possam acontecer no acampamento e no Fórum".
Colaboraram Clarananda Barreira e Francisco Veiga
Moraes