 Jane Portella e Diana Marinho |
Brasília, 03/06/2007 – Leonardo Azevedo – Agência ViraJovem de Notícias -
Na II Mostra Saúde e Prevenção nas escolas, que acontece em Brasília (DF), entre os dias 1º e 3 de junho, um dos trabalhos apresentados na Comunicação Coordenada número 2 neste domingo teve como temática “Trabalhando a Prevenção das DST/AIDS com os Professores Guarani”.
Participou da mesa a Assistente social e representante da Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro e Defesa Civil/RJ, Jane Portella. Diana Marinho, que trabalha junto com Jane e é também assistente social e representante da Fundação Oswaldo Cruz do Rio de Janeiro (Fiocruz/RJ), esteve presente nas atividades.
Durante o evento, as duas deram uma entrevista exclusiva para a Agência ViraJovem de Notícias, em que falaram sobre a formação de professores Guarani para a prevenção de DST/aids, devido a uma solicitação feita pelos próprios professores Guarani.
Agência ViraJovem: Qual é o trabalho de vocês?
Diana e Jane: O nosso trabalho consiste na formação de professores indígenas da etnia Guarani da região Sul-Sudeste. Esta formação já acontece há algum tempo, mas nós fomos convidadas pela Coordenação Nacional de DST/aids para fazer um projeto-piloto nessa formação, que é trabalhar a questão da promoção da saúde e prevenção das DST/aids.
Nós fomos convidadas porque já tínhamos tido uma experiência anterior com indígenas Guarani no Rio de Janeiro, que era a formação de multiplicadores na temática de DST/aids desde 1999.
Agência ViraJovem: Teve alguma resistência por parte dos indígenas para trabalhar essa temática?
Diana e Jane: Não, pois foram eles que solicitaram essa temática na formação, pois já havia aldeias com casos de AIDS.
Agência ViraJovem: Quais são as principais causas de transmissão de DST/aids nas aldeias?
Diana e Jane: O contato dos índios com não índios aumenta a vulnerabilidade. Os Guarani são semi-nômades, ou seja, se deslocam de aldeia para aldeia visitando seus parentes, que é próprio da cultura deles, fazendo com que a vulnerabilidade aumente. Mas a principal causa é realmente através do contato com não índio.
Na visão deles, as principais causas dessa vulnerabilidade é a saída das pessoas das aldeias para trabalhar nas cidades, por questão de sobrevivência, e o alcoolismo, porque segundo eles, ao beber, não sabem o que estão fazendo e podem ter relação com outra pessoa sem proteção.
Na nossa visão, há também a questão da troca de cônjuges, pois eles casam muitas vezes, o que faz aumentar a vulnerabilidade.
Agência ViraJovem: Quais são os objetivos desse trabalho, para que fazê-lo?
Diana e Jane: O trabalho é para que eles possam estar discutindo esses assuntos, pensando sobre conceitos e também se protegendo, se prevenindo.
Agência ViraJovem: O trabalho já terminou ou ainda está em andamento?
Diana e Jane: Ainda está em andamento. A primeira fase foi o trabalho deles nas aldeias, pois trabalhamos, com 69 índios de aldeias diferentes, a questão da saúde e da doença, e agora vamos entrar na segunda fase, que vamos sentar com esses índios para ver o que foi feito, como, enfim, fazer uma avaliação de como foi o trabalho.
Agência ViraJovem: Vocês têm apoio de quais órgãos/instituições?
Diana e Jane: Temos o apoio do Programa Nacional DST/aids e MEC/SECAD.