Rafael Lira, da Redação e Sálua Oliveira, colaboradora da Vira Fotos: Equipe de Mobilização , Redação
30/04/2009

Sinal vermelho pra quem pensa que discutir política e transformar a vida das pessoas é coisa de adulto engravatado e que adolescente nem deve se meter.

Um bom exemplo disso é o que a Vira, em parceria com Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e o Movimento Nossa São Paulo, vem facilitando desde março de 2008: que a galera fale sobre o que elas e eles acham que deve melhorar na cidade. A conversa rendeu tanto que continua em 2009.

Bem no comecinho, grupos de adolescentes, escolas públicas e particulares, organizações não-governamentais e vários coletivos de jovens foram convidados para participar da construção de uma cidade melhor, com propostas que foram organizadas em um jornal mural impresso. Ele foi entregue a todos os candidatos à prefeitura de São Paulo, na época das eleições.

Este evento foi o primeiro Fórum Nossa São Paulo, em que os cidadãos e grupos fizeram propostas para contribuir com as plataformas de campanha dos então candidatos à prefeitura. A cobertura jornalística foi toda feita por jovens repórteres participantes do evento, e um site for criado especialmente para o fórum: www.revistaviracao.org.br/nossasaopaulo.

No que deu essa história?

Muita gente percebeu que para a construção de uma cidade bacana, todos e todas deveriam participar e que, com as propostas organizadas do primeiro fórum – aquelas do jornal mural! – poderia haver um debate maior, diverso e aprofundado.

A Vira chamou as crianças e jovens para continuar pensando em sua cidade, e com lição de casa: chamar seus amigos, escolas, igreja, comunidade e outros grupos a participar desta ação.

O que sempre era posto em questão nestes encontros era o aumento da participação deles mesmos – os jovens, crianças, adolescentes, manos e minas – para atuarem nas áreas em que suas vidas são influenciadas.

Foi quando o CIDADELO apareceu! Um espaço de diálogo da galera com o poder público e de sugestões de propostas transformadoras, que visam à melhoria da nossa cidade. É também um lugar para oficinas e de troca de conhecimento uns com os outros e de livre participação!

Muita doideira? Não! Que tal organizar um festival de bandas da comunidade? Oficina de grafite com a galera que aparece sempre nas paredes da região? Isto já é um CIDADELO! Chamar “a geral” para participar das formas mais variadas possíveis sempre tendo na cabeça os direitos das crianças e dos adolescentes.

A proposta surgiu para que espaços existam em todas as regiões, conversem e tragam seus problemas e soluções à tona, exercitando um grande trabalho em rede e tratando de “tretas”, como o buraco na rua de casa ao trânsito na Avenida Aricanduva.

Meninada na jogada!

“Ter mais ônibus” e “melhorar nosso meio ambiente” foram duas propostas de Gabriele Camilo, de 11 anos, na versão infantil do Fórum de Adolescentes, realizado no Parque da Mônica, em outubro de 2008.

Essa e muitas outras idéias, incluídas na mobilização infanto-juvenil, serão enviadas e discutidas em um encontro com o atual prefeito, Gilberto Kassab, já comprometido com as metas do Unicef, que priorizam a qualidade de vida da galera na cidade.

As crianças coloriram suas ideias, desenharam, escreveram e se divertiram pensando nas melhorias da capital paulista. Um cartaz com o formato da cidade foi pintado e folhas sulfite desenhadas, dando uma cara diferente ao parque. Todos saíram ganhando, as crianças se esbaldaram com a exposição e os pais relaxaram esperando a proposta dos seus “filhotes” e conhecendo a iniciativa.

Pra continuar…

Muita coisa está acontecendo ao mesmo tempo. Está rolando a Plataformas de Centros Urbanos (PCUs), iniciativa do Unicef que ajudará na criação dos CIDADELOS nas comunidades participantes. O grupo de trabalho de crianças e adolescentes do Movimento Nossa São Paulo está juntando organizações, grupos, cidadãos, crianças e adolescentes para pensarem estratégias para mudar a vida desta galera na cidade. Sem contar os adolescentes nas regiões que estão mobilizando outras pessoas desde o começo dos fóruns e encontros.