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Visão jovem - e polêmica - sobre a saúde

Aline Moraes , reporterdofuturo.com.br
14/08/2008
As propostas são jovens. A cobertura jornalística é jovem. A visão sobre a cidade é jovem. Não podia deixar de ser sobre a saúde. No último dia do 1º Fórum Nossa São Paulo, os jovens do Unicef e do projeto Viração foram representados no GT de Saúde por Rafael Biazão, que apresentou propostas para o setor criadas por adolescentes de toda a cidade.
Além de demandas comuns à sociedade, como mais equipamentos de saúde, mais profissionais capacitados e programas de prevenção e promoção de saúde, as propostas trouxeram uma visão particular do jovem sobre os problemas e necessidades em saúde, de acordo com a realidade que eles vivem. Algumas, inclusive, geraram polêmica.
Foi o caso da proposta de atendimento garantido e com sigilo em Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e hospitais para adolescentes que não estejam acompanhados de um responsável. “Muitas vezes o jovem quer desabafar e não encontra abertura em casa. É necessário a criação de um ambiente em que ele possa conversar abertamente com o médico”, explica Rafael. E exemplifica com o caso de jovens de 13 anos que engravidam e não têm coragem de conversar com os pais. “Senão, o jovem vai acabar procurando ajuda e informação com um amigo, o que é mais perigoso”.
Outra proposta que caminha na direção de diminuir as restrições em saúde a adolescentes trata dos locais de atendimento a doenças crônicas, que estão abertos a jovens entre 14 a 18 anos apenas no período diurno. “A proposta é que, nesses locais, os adolescentes também possam ser atendidos à noite, para que não precisem faltar à escola ou ao trabalho”. Rafael cita o caso de uma colega sua, HIV positivo, que precisava faltar muito ao serviço para fazer seu tratamento, o que gerou problemas em seu ambiente de trabalho. “Os outros achavam que ela tinha um caso com o chefe, pois ela faltava e ele não podia contar por quê”.
Caso para assistência social Alguns na platéia se manifestaram contra essas propostas, alegando que, se não há apoio em casa, esse é um assunto para o Conselho Tutelar; existe uma lei e que se há discordâncias, ela é que tem de ser revista. Apesar da polêmica, não houve discussão no momento. O médico Mario Bracco, que também fazia parte da mesa de apresentação do GT, disse que “o movimento não concorda necessariamente com todas as propostas”, e que “esse é um momento de apresentá-las. O espaço de debate serão as plenárias, que acontecerão ao longo do ano”.
Para Rafael, a questão é que “eles [os adultos] pensam muito no atendimento médico em si. Mas é preciso pensar no apoio também. Temos uma visão diferente”. A polêmica reflete também o que a Ana Carolina Ayres, do GT de Saúde, chamou de um “buraco” no encaminhamento das propostas, a ver com a assistência social. “Desde o começo do Fórum existiu um ‘buraquinho’, que as pessoas não sabiam para onde encaminhar. Um GT de Assistência Social talvez pudesse abordar questões colocadas pelo Rafael e por outros GTs”, propõe.
“Essa é uma questão que tem interface com a saúde também, mas que deve ser discutida primeiro com a assistência social”, opina Carolina. Para Rafael, falar em Conselho Tutelar traz uma idéia muito formal e burocrática, “tem cara de ‘vou contar para o seu pai’”, diz ele. Uma proposta feita por Carolina é a do trabalho de terapia comunitária, que já acontece em algumas localidades. Trata-se de um espaço de discussão em grupo de problemas vividos em comum pela comunidade.
“Há alguns especialistas em terapia comunitária e que podem entrar no espaço da UBS. Se fosse implantada em todas as unidades, o problema poderia ser levantado e resolvido na hora, com ajuda mútua da comunidade. É um bom espaço a ser criado”, sugere.
 
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