Moradora da Zona Oeste, Eliene Santana Correia, de 16 anos, reclama que no lugar onde mora não há opções de cultura. “Lá a gente não tem um lugar legal para ir – se tivesse um centro de cultura perto de casa seria o máximo”, diz. Participante da Cobertura Jovem Viração, Eliene falou no Fórum Nossa São Paulo sobre a dificuldade de acesso à cultura para os jovens na cidade.
Das 31 subprefeituras de São Paulo, 14 não possuem nenhuma casa, espaço ou centro de cultura – é o que mostram os indicadores compilados pelo Observatório Cidadão do Movimento Nossa São Paulo. As subprefeituras Sé e Pinheiros, por outro lado, concentram cerca de 55% do total de 65 espaços desse tipo existentes na cidade.
Os dados demonstram a centralização e a desigualdade na distribuição dos recursos culturais em São Paulo, processo que contribui para dificultar o acesso dos moradores de regiões periféricas à cultura.
Eliene gosta de assistir documentários, ir a shows e manifestações e visitar museus, mas conta que, em seu bairro, o ponto de encontro dos amigos é num shopping próximo – “o problema é que lá é preciso ter dinheiro, tudo é caro”, diz.
A adolescente participa do Teatro “Fala Sério”, um teatro de bonecas desenvolvido pelo Centro Social Nossa Senhora do Bom Parto. Destinado ao púbico jovem, a peça apresentada procura trabalhar a questão de como viver e conviver com o vírus HIV, incentivando o debate e a conscientização do público.
Para ela, além do problema da distância até os centros de cultura, falta informação e divulgação de atividades culturais para os adolescentes da periferia, principalmente. Como não estão acostumados, não se sentem à vontade em lugares como museus e teatros. Por desconhecê-los, os jovens acham que são espaços formais demais e a maioria acaba não se interessando, afirma Eliene.