Os jovens Enderson Araújo, de 20 anos, Marla Soares, de 17 anos, e Fabiane Santos Farias, de 24 anos, moram na Bahia e participam do projeto Promovendo os Direitos de Jovens – Cultura e Saúde Sexual e Reprodutiva em Salvador, iniciativa da UNFPA em parceria com a Embaixada dos Países Baixos.

O projeto realiza atividades com jovens no bairro de Sussuarana, em Salvador (BA). Os três estão participando da IV Mostra Saúde e Prevenção nas Escolas, junto com seus facilitadores, Luiz Eduardo Nascimento Tavares, de 25 anos, e Claudia Vasconcelos, de 19 anos.

Eduardo ressaltou a importância do trabalho junto com a comunidade. “O projeto tem uma relação muita estreita com a comunidade, então ele não é só dos jovens, mas de toda a comunidade. A mãe conhece, o pai conhece, o tio e o vizinho também se interessam por isso”, disse.

Confira os depoimentos que eles deram para a Agência Jovem de Notícias aqui!

Fabiane Santos Farias, 24 anos

Antes do projeto, minha vida era sem graça, depressiva e para mim não tinha muita importância. Eu achava que por ter 24 anos e ter duas filhas, estava parada no tempo, porque ninguém iria me dar a oportunidade de fazer um curso ou ter um emprego.

Isso me deixava triste, eu achava que só servia para lavar, passar, cozinhar e cuidar das filhas. Meu marido era machista e dizia que mulher só servia para isso e que o homem é que tem que trabalhar, mas ele não fazia nada dentro de casa para me ajudar.

foto unfpa

Quando participei pela primeira vez da UNFPA, Eduardo e Cláudia Vasconcelos (os facilitadores), falaram que eu poderia levar minhas filhas e daí as coisas foram mudando. Faço parte das oficinas. Enquanto presto atenção, minhas filhas também participam de oficinas comigo, principalmente quando fazemos alguma peça teatral.

Em relação ao meu marido, ele mudou muito. Hoje ele já varre a casa, faz um arroz queimado, mas faz, ou seja, está mudando sua concepção em relação às mulheres.

É isso, estou aprendendo muito, obtendo conhecimentos e compartilhando com outras pessoas tudo o que eu aprender.

Marla Soares de Jesus, 17 anos

O projeto mudou muita coisa na minha vida, pois eu não tinha os conhecimentos que hoje eu tenho. O projeto mostra que os jovens têm o direito de expressar sua opinião. Na Sussuarana, bairro de Salvador, existem vários projetos, mas nenhum como esse, que dá liberdade de expressão, trabalha com danças e teatro. Também são abordados temas como educação entre pares , educomunicacão , direito à comunicação, mídia e outros.

Para mim, é ótimo participar desse projeto, pois com ele posso ter muito aprendizado  e conhecimento. É uma oportunidade única que estamos passando, além de termos a amizade, o carinho e dedicação de todos.

Espero que assim possamos passar para outras pessoas todo o conhecimento que estamos tendo, e é isso que eu quero fazer: passar o meu conhecimento para minha comunidade, escola… Com isso, aprendemos muito mais.

Enderson Araújo de Jesus Santos, 20 anos

Participo do Projeto Promovendo Direitos de jovens há quase 2 meses e muita coisa mudou durante esse tempo. Tudo começou assim: eu estava em uma Lan house, no bairro onde moro, quando vi um panfleto explicando o projeto e percebi que aquele poderia ser a minha oportunidade de realizar tudo aquilo que existia em minha mente, tipo: poder discutir em público sobre temas que estavam relacionados ao nosso cotidiano e a possibilidade de fazermos ações de políticas públicas dentro de nosso bairro, na cidade, no estado e ate no Brasil.

Um dia, quando estava em minha rua, vi um fotógrafo tirando fotos de tudo o que havia no bairro: das pessoas, da diversidade cultural, dos lugares onde os jovens obtinham a diversão… Fiquei curioso e fui até ele e perguntei o porquê daquelas fotos e que também tinha gosto pelo o que ele fazia.

Então ele me explicou que estava querendo conhecer o bairro e falou sobre o projeto e que também queria conhecer as diversidades culturais de onde moro. Então o convidei para fotografar os artesanatos que minha avó faz com materiais recicláveis e aproveitei para perguntar sobre o processo de seleção do projeto, pois estava muito interessado.

Bom, fiz a inscrição e passei no projeto que se iniciou com 60 jovens divididos em dois turnos em três dias na semana. No grupo, existem algumas jovens que já são mães e o projeto possibilita que elas levem seus filhos para que não as impeçam de estudar.